|
O jornal The New York Times soube que um musical de rock, baseado na
ópera La Bohème, estrearia por ocasião do centésimo
aniversário da primeira montagem de La Bohème, a ópera
original. Na verdade, ninguém sabia disso; foi simplesmente um "golpe
de sorte".
Desde a morte de Jon, foram feitas algumas revisões em RENT. Lynn,
Jim e Michael encontraram e tentaram, após examinar diversos rascunhos
de RENT, selecionar as mudanças que teriam a aprovação
de Jonathan. Eles não mediram esforços para estabelecer
idéias que mais se aproximassem de uma réplica do trabalho
original de Jon. Quando o show estreou, eles sabiam que tinham algo de especial
em suas mãos - as pessoas na platéia choravam no último
ato. A morte de Jon acrescentou um explosivo e poderoso elemento para um
melhor entendimento do show por parte do elenco. "O grupo estava bem integrado,
mas naquela noite em que Jon morreu, nós ficamos mais fortemente
unidos", lembra Daphne. "Isto nos fez lembrar profundamente a
experiência vivida em RENT, porque "o amanhã não lhe
fará promessas!". Não havia uma maneira mais intensa de
receber esta mensagem do que vindo de uma pessoa que estava completamente
saudável e que, de repente morreu. Alguém cuja vida estava
apenas começando...
No dia em que Jon morreu, ninguém no Workshop sabia ao certo o
que fazer. A primeira apresentação estava prevista para aquela
noite. Jim Nicola estava decidido a cancelar, mas ele sabia que precisava
fazer alguma coisa pela memória de Jonathan. O primeiro ato, em
particular, envolvia muitos números de dança que exigiam habilidade
dos atores em subir e descer das mesas. Isto não havia sido bem ensaiado
e Jim estava temeroso que alguém se machucasse durante esses
números. Eddie Rosenstein exigiu que ele repassasse o show inteiro.
À noite, os amigos de Jonathan se dirigiram para o teatro. Os pais
de Jonathan estavam lá e o New York Theatre Workshop foi ocupado por
pessoas que Jon amava. Jim, então, decidiu apresentar apenas um recital
- ou seja, nenhuma representação, apenas as canções
de RENT.
Ao longo do primeiro ato, estava previsto que o elenco permanecesse sentado
nos seus lugares (marcações), mas aos poucos, lentamente, eles
começaram a se levantar e começaram a representar e dançar!
"Foi incrível e impressionante", lembra Anthony. "Foi como se
nós tivéssemos a obrigação de fazê-lo.
Todos soluçavam e choravam. "O pessoal da iluminação
correu para a cabine de controle; o diretor de som começou a procurar
no texto o final das falas dos artistas para poder executar as músicas.
"Eles não conseguiam se controlar", relembra Eddie. "A platéia
acompanhava o elenco. Eles estavam chorando e aplaudindo ao mesmo tempo."
Certamente todos vocês já sabem o que aconteceu à peça
logo em seguida: o show se transformou numa das maiores atrações
da Broadway.
Além do público comum, artistas de cinema e televisão
retornam sempre ao Nederlander Theater. Eles costumam ir aos bastidores para
deixar o seu autógrafo numa extensa parede, uma espécie de
"Wailing Wall" da Broadway - Spike Lee, Billy Joel e Jodi Foster já
deixaram os seus melhores votos e congratulações a Jonathan
e ao elenco.
Os atores que participam da peça reconhecem o público
assíduo que está sempre retornando ao teatro cerca de 10, 15
ou até mais vezes e que está fazendo de RENT um estrondoso
sucesso de público e crítica, completando a trilogia iniciada
com "Hair" no final da década de 60 e "A Chorus Line" nos anos
70.
|
|
|
E
VOCÊ?
QUANTAS
VEZES
JÁ
ASSISTIU À
RENT?
|
![[Image]](pict292.jpg) |
|